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Síndrome Dolorosa Pós-Mastectomia
Colaboração Dra. Mariângela PeclyA síndrome dolorosa pós mastectomia se caracteriza por dor persistente na região torácica anterior, axila e face medial e posterior do braço que se segue a qualquer procedimento cirúrgico da mama. Pode ocorrer após procedimento simples mas, o mais comum, é aparecer após procedimentos mais radicais, especialmente aqueles que envolvem dissecção extensa de linfonodos axilares.
Outros fatores também podem contribuir para o aparecimento da dor como infecção da cicatriz cirúrgica, retenção de líquido no pós-operatório (seroma) e reconstrução mamária com implante, que pode lesionar ou comprimir os nervos locais.
Seu aparecimento varia de duas semanas a seis meses após a cirurgia e tem incidência de 5% a 20%.
A dor se deve à lesão do nervo intercostobraquial, ramo do segundo e do terceiro nervo intercostal, podendo, em mastectomias mais radicais, haver também lesão de ramos cutâneos do quarto e quinto nervos intercostais. Piora com a movimentação do braço e melhora com a imobilização do mesmo que, por outro lado, piora o linfedema e torna o movimento mais doloroso. Algumas vezes a alodínia e a hiperestesia são tão intensas que o simples contato com roupas de baixo deflagra a dor.
Segundo orientação do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é importante o exercício das atividades diárias e de lazer. Em caso de machucado no braço do lado da mama operada, deve-se fazer curativos todos os dias e manter a ferida coberta até a completa cicatrização. Após cicatrização da ferida operatória, a pele deve ser hidratada com cremes. Próteses externas só devem ser usadas quando a região estiver totalmente cicatrizada. Evitar utilizar o braço afetado para medição da pressão arterial ou injeção, cortar cutícula com alicate, roer unha, costurar sem dedal, picadas de insetos e mordidas de animal, contato direto com substâncias irritantes como cloro ou solvente, carregar bolsa ou pacote pesado, usar roupa ou objeto que apertem a região, evitar o sol das 10h às 15hs e usar sempre filtro solar.
O tratamento da síndrome dolorosa pós mastectomia é multidisciplinar e inclui orientação, medicamentos, acupuntura, bloqueios anestésicos variados e fisioterapia que já deve começar no pós-operatório imediato e, após a alta hospitalar, a paciente deve ser encaminhada para dar continuidade ao tratamento de reabilitação. Uma vez bem conduzido, o tratamento pode evitar complicações como “ombro congelado”, limitação da amplitude de movimento do membro superior e manifestações de síndromes dolorosas nociceptivas e neuropáticas crônicas.
Fonte: COHP - Clínica de Oncologia e Hematologia do Planalto

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